SINOPSE
O xerife Calder tem problemas para resolver numa cidadezinha quando Bubber foge da prisão e é acusado de assassinato. Ele parece estar voltando para o lugar, onde o filho do homem mais
importante da cidade está namorando sua ex-esposa.
É uma visão arrasadora da sociedade americana, em que quase, mas quase tudo é absolutamente podre, corrupto, sujo.
O filme abre com dois homens correndo, e diversos policiais indo atrás deles. Várias tomadas da fuga dos dois no meio do mato e dos policiais fortemente armados e com seus cães de caça atrás deles vão sendo mostradas ainda durante os letreiros iniciais, a apresentação, na qual o espectador vê os nomes de diversos grandes atores – Marlon Brando, Jane Fonda, Robert Redford, E.G.Marshall, James Fox, Robert Duvall, Marta Hyer, Janice Rule, Miriam Hopkins -, do produtor Sam Spiegel (de A Ponte do Rio Kwai e Lawrence da Arábia), do diretor Arthur Penn, um dos mais importantes do cinema americano, e, como roteirista, a escritora e dramaturga Lillian Hellman, uma das personalidades mais fascinantes do século. É um desfilar de nomes importantes, de grandes talentos, enquanto o espectador vai vendo a caçada humana – o início dela.
Arthur Penn aproveita para mostrar – em duas seqüências intercaladas às outras que apresentam os personagens principais da história – como os bancos esfolam os pequenos fazendeiros, como os muitos empreendimentos do milionário exploram a mão de obra barata e ilegal de imigrantes mexicanos, e como o racismo está profundamente impregnado naquela sociedade.
A cena que primeiro apresenta o racismo é ótima. Logo depois que Bubber Reeves é abandonado na estrada pelo colega, passa um carro velhíssimo com uma negra dirigindo, ao lado do filho, um garotinho de uns dez anos; o garotinho chama a atenção da mãe para o homem que, ao ver o carro se aproximar, foge para dentro do mato – “ele está com roupa de preso”, diz, e sugere avisar a polícia. A mãe, com a expressão impassível, ensina a ele: “Deixe os brancos cuidarem dos problemas dos brancos”.
É de tirar o fôlego – mas as coisas vão piorar cada vez mais; haverá traições de vários tipos, demonstrações de racismo, de inveja profunda, de ódio, de intolerância, de violência de todas as formas.
Um homem sozinho tentando fazer cumprir as leis numa selva de loucos e covardes.
A crítica americana foi absolutamente impiedosa, e, em uníssono, arrasou o filme – que, na Europa, não por mero acaso, colecionou elogios
Não fez sucesso nos Estados Unidos porque não faria mesmo, em hipótese alguma, porque é anti-americano demais. É uma imagem cruel demais essa que o filme mostra – ninguém gostaria de ver essa imagem no espelho











