21 de dezembro de 2009

Caçada Humana

SINOPSE

O xerife Calder tem problemas para resolver numa cidadezinha quando Bubber foge da prisão e é acusado de assassinato. Ele parece estar voltando para o lugar, onde o filho do homem mais
importante da cidade está namorando sua ex-esposa.











É uma visão arrasadora da sociedade americana, em que quase, mas quase tudo é absolutamente podre, corrupto, sujo.
O filme abre com dois homens correndo, e diversos policiais indo atrás deles. Várias tomadas da fuga dos dois no meio do mato e dos policiais fortemente armados e com seus cães de caça atrás deles vão sendo mostradas ainda durante os letreiros iniciais, a apresentação, na qual o espectador vê os nomes de diversos grandes atores – Marlon Brando, Jane Fonda, Robert Redford, E.G.Marshall, James Fox, Robert Duvall, Marta Hyer, Janice Rule, Miriam Hopkins -, do produtor Sam Spiegel (de A Ponte do Rio Kwai e Lawrence da Arábia), do diretor Arthur Penn, um dos mais importantes do cinema americano, e, como roteirista, a escritora e dramaturga Lillian Hellman, uma das personalidades mais fascinantes do século. É um desfilar de nomes importantes, de grandes talentos, enquanto o espectador vai vendo a caçada humana – o início dela.

Arthur Penn aproveita para mostrar – em duas seqüências intercaladas às outras que apresentam os personagens principais da história – como os bancos esfolam os pequenos fazendeiros, como os muitos empreendimentos do milionário exploram a mão de obra barata e ilegal de imigrantes mexicanos, e como o racismo está profundamente impregnado naquela sociedade.
A cena que primeiro apresenta o racismo é ótima. Logo depois que Bubber Reeves é abandonado na estrada pelo colega, passa um carro velhíssimo com uma negra dirigindo, ao lado do filho, um garotinho de uns dez anos; o garotinho chama a atenção da mãe para o homem que, ao ver o carro se aproximar, foge para dentro do mato – “ele está com roupa de preso”, diz, e sugere avisar a polícia. A mãe, com a expressão impassível, ensina a ele: “Deixe os brancos cuidarem dos problemas dos brancos”.

É de tirar o fôlego – mas as coisas vão piorar cada vez mais; haverá traições de vários tipos, demonstrações de racismo, de inveja profunda, de ódio, de intolerância, de violência de todas as formas.
Um homem sozinho tentando fazer cumprir as leis numa selva de loucos e covardes.
A crítica americana foi absolutamente impiedosa, e, em uníssono, arrasou o filme – que, na Europa, não por mero acaso, colecionou elogios
Não fez sucesso nos Estados Unidos porque não faria mesmo, em hipótese alguma, porque é anti-americano demais. É uma imagem cruel demais essa que o filme mostra – ninguém gostaria de ver essa imagem no espelho



10 de dezembro de 2009

O Expresso da Meia-Noite

Sinopse

Billy Hayes (Brad Davis), um estudante americano, ao visitar a Turquia decide traficar alguns pacotes de haxixe, prendendo-os debaixo de suas roupas. Seu plano acaba não dando certo e ele é preso, com sua vida se transformando em um pesadelo a partir de então, pois é brutalmente espancado e jogado em uma imunda prisão. Quando espera ser libertado é levado a um novo julgamento com efeito retroativo, que o condena a uma longa pena.






Fortíssimo filme sobre dor, miséria e liberdade. Acompanhamos através das lentes de Alan Parker a trajetória cruel vivida por um jovem preso na Turquia por carregar drogas. As cenas são chocantes, profundas e gélidas. Alan Parker faz uma fita brutal e cheia de contundência sobre a prisão turca, o resultado é tão cruel e crítico que Parker passou a ser odiado na Turquia. A fita é opressiva e sufocante, do mesmo jeito que o personagem fica enjaulado e sem formas de se movimentar o espectador se sente da mesma maneira e se sente vulnerável. Não é um filme fácil e confortável de se ver. É preciso ver o filme com uma certa frieza, pois as cenas são de difícil compreensão e se não entrar no clima e ser uma testemunha do que acontece na prisão dificilmente gostará do filme. Billy Hayes (Brad Davis) é um jovem rapaz de boa família e de situação financeira confortável. Ele e sua namorada estão na Turquia e estão retornando ao país natal. Billy tem um plano idiota: levar para os EUA uma droga chamada haxixe, a qual ele conseguiu com um taxista. Para conseguir passar pela guarda local com 2 Kg do produto amarra em seu peito a droga. O plano acaba falhando e Billy acaba indo para a prisão. O local é praticamente um ninho de rato. Sujo, imundo e mal tratado. Em seu julgamento Billy pega a pena leve, levando-se em conta o crime cometido. A partir dali, ele passa a se comportar e a fazer amizades no local. Porém, essa pena que ele recebe errado acaba sendo anulada e ele vai para um novo julgamento. Ele perde a cabeça e pega uma punição muito pesada. Agora de menino comportado ele passa a bolar planos para fugir do local junto com mais dois prisioneiros. Mas o caminho não é fácil, pois qualquer erro e a punição é severa. E ainda um dos prisioneiros é infiel com os outros e nem se importa em acabar com o plano deles. Billy terá que ser forte para manter a sanidade, que parece que seus amigos estão perdendo. Alan Parker conduz o filme com extrema maestria e ousadia. A cada cena uma nova emoção, um novo ângulo, uma nova mensagem, uma nova imagem. Um trabalho de personalidade. Parker realça bem a angústia, a ânsia, vontade e a sensação do personagem. Isso ainda é brilhantemente passado ao espectador também pela ótima revelação da época, o ator Brad Davis, que transmite todos os sentimentos do personagem com extrema sensibilidade e com grande empenho. Este promissor ator viria a morrer anos depois, de Aids. A elaboração do roteiro também é muito competente. Oliver Stone se baseou no livro de Billy Hayes e William Hoffer para compor o enredo do filme. O personagem enfrenta a prepotência dos guardas locais, errado a falta de luz na vida, a solidão, entre muitas outras coisas, chegando ao desfecho duvidoso. "O Expresso da Meia-Noite" ressalta a falta de humanismo, de justiça e de comoção na prisão. O personagem errou, assumiu o erro e cumpriu a pena dada, porém a falta de justiça o condenou novamente e fez com que sua vida fosse por água abaixo. Ele teve que lutar por uma liberdade, cuja a qual ele já tinha por direito. Na vida todo mundo erra (pelo menos eu acho), alguns erros são facilmente contornados, outros tem conseqüências mais drásticas. O personagem aqui sofre por seu erro e ainda pelo erro dos outros. Alan Parker faz um trabalho excelente, mais uma vez dando total valor à liberdade."




















8 de dezembro de 2009

O corcunda de notre dame

Sinopse


Quasímodo (Charles Laughton), o deformado sineiro da catedral de Notre Dame, localizada em Paris, é injustamente condenado a ser açoitado. Quando pede água apenas uma cigana (Maureen O'Hara) sente compaixão por ele. Quando ela é injustamente acusada de assassinato, ele decide protegê-la.










Primeira versão sonora cinematográfica do livro clássico de Victor Hugo. A versão do cinema mudo foi estrelada por Lon Chaney (1923). Esta produção estrelada por Charles Laughton, que estava no auge de sua carreira quando personificou Quasímodo (o Corcunda), recebeu duas indicações ao Oscar, em 1939. É provavelmente, a melhor interpretação dada ao triste personagem, morador da Catedral de Notre Dame, que perambula pelos impressionantes cenários de Paris, criados especialmente para o filme, em Hollywood. Maureen O'Hara está perfeita como a linda cigana Esmeralda, pela qual Quasímodo se apaixona desesperadamente, a ponto de romper a paz da imponente e secular Catedral, aterrorizando a população. Clássico imperdível e obrigatório em qualquer filmoteca, EU TENHO ESTÁ obra-prima resgatada para os mais exigentes amantes da sétima arte.







Com ótimas interpretações. Na minha opinião merecia ter levado o Oscar de melhor ator, Charles Laughton. Um filme, apesar de ser em preto e branco, tem fotografia ótima e como não pode ser rodado dentro da Catedral, em Paris, os produtores construíram uma, coisa de Americano. Eu tenho esse filme, acho um dos 20 maiores do cinema. Vale a pena conferir.